O Instituto de Formação de Líderes foi a minha melhor escola

O Instituto de Formação de Líderes foi a minha melhor escola

 

Não que eu seja tão idoso, mas frequentei muitas escolas durante minha vida. Passei 8 anos frequentando escolas de ensino fundamental e médio. Em 2003, ingressei no curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília e lá fiquei por 4 anos e meio. Entre 2008 e 2010, cursei mestrado em Engenharia Eletrônica e frequentei aulas em uma escola preparatória a concursos públicos.

Por incrível que pareça, esta última foi até então a melhor escola que frequentei. Os cursos eram muito profundos e a maioria dos temas são úteis inclusive para quem não deseja seguir carreiras públicas: contabilidade, administração financeira, direto constitucional, direito tributário, língua portuguesa e redação. Os professores todos eram pessoas de sucesso em suas carreiras e traziam muitos insights sobre o que interessava para a atuação profissional e o em que não valia a pena gastar tanto tempo. Após isso, já trabalhando como professor do quadro permanente da Universidade de Brasília, ingressei no programa de doutorado em microeletrônica onde passei quase 6 anos, incluindo uma longa temporada trabalhando na Royal Institute of Technology em Estocolmo, na Suécia.

Conheci o que o IFL fazia após retornar ao Brasil em 2018. Fui convidado para um evento de apresentação que aconteceria em Brasília, em novembro daquele ano. Confesso que não fiquei muito convencido a princípio, mas resolvi participar dos primeiros eventos, um deles com o empresário Salim Mattar, fundador da Localiza. Recordo-me bastante da mensagem de otimismo e de chamado à responsabilidade que Salim proferiu, resolvi me associar e passar pelo ciclo de formação. De maneira um tanto quanto inesperada, fui convidado para compor a primeira diretoria. Em 2019, começamos, sob presidência da Laura Tallarida.

O IFL realiza um ciclo de formação dividido em trilhas temáticas. A primeira trilha trata de liberalismo e procura discutir as bases teóricas, políticas e filosóficas das ideias de liberdade; a segunda trata de gestão e discute organização do tempo, gestão de equipes e gestão financeira; a terceira trata de liderança, senso de responsabilidade e de impacto na sociedade. Tudo isso você vai encontrar em qualquer bom MBA disponível no mercado. A diferença do IFL é que você não vai encontrar aquele modelo tradicional de aulas e provas.

O IFL realiza três tipos de atividades regulares. Atividades teóricas envolvem leituras obrigatórias, produção de resenhas e de textos de opinião. Estas são as atividades que eu chamo de solitárias, que cada associado realiza no seu tempo. As atividades de discussão envolvem os jantares-debate semanais, os juris simulados, seminários e workshops promovidos para os associados do instituto. Esses eventos procuram trazer personalidades empresariais, intelectuais e políticas para discutir os assuntos tratados no ciclo de formação. Estas foram as melhores “aulas” que frequentei até então: tive a oportunidade de ouvir dezenas de histórias de pessoas que transformaram suas empresas e suas comunidades, trazendo um senso muito grande de aplicabilidade dos assuntos tratados nas atividades teóricas. O IFL não realiza provas, mas os eventos semanais me deram oportunidade de discutir com os demais associados sobre dificuldades ou oportunidades para a aplicação das técnicas tratadas nas atividades teóricas.

O IFL também apoia o desenvolvimento de projetos, em especial a realização do Fórum Liberdade e Democracia, que acontece anualmente em São PauloBelo HorizonteFlorianópolisVitória e, em breve, em Brasília. O Fórum anual reúne milhares de pessoas para discutir temas atuais que impactam a sociedade brasileira. Outro projeto regular é a manutenção do próprio instituto, mantido por meio do trabalho de voluntários que participam da diretoria sem remuneração. Entre outros projetos, estão os podcasts dos institutos de formação (Acendendo as Luzes, do IFL SP; ILACAST, do Instituto Líderes do Amanhã; e o podcast do IFL Brasil).

Aprendi muito sobre gestão, sem assistir a nenhuma aula nem fazer nenhuma prova. Muito melhor do que isso, tive discussões de alto nível que me permitiram experimentar novas ideias, receber feedback de excelente pessoas sobre minhas tentativas de aplicação e dar as minhas próprias sugestões sobre as iniciativas dos outros associados. Conheci pessoas incríveis nesse processo. O IFL foi o meu MBA, que combinou a possibilidade de desenvolver competências técnicas e expandir minha rede de relacionamentos profissionais. Embora não tenha um diploma bonito para colocar na parede, posso afirmar sem sombra de dúvidas que o IFL foi a minha melhor escola.

*Edil Guimarães é professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília, ex-presidente e membro honorário do IFL Brasília e membro da diretoria executiva do IFL Brasil.

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